LEI MARIA DA PENHA É DESRESPEITADA.


A mulher vem conquistando cada vez mais espaço, seja na política, no mercado de trabalho, na mídia, no ambiente acadêmico ou mesmo na área policial. Entretanto, ainda perdura a desigualdade de gêneros em nossa sociedade. Frequentemente temos notícias de violência contra a mulher, e as pesquisas revelam que ainda há diferença entre os salários de homens e mulheres. Além de mostrarem também que, embora o número de mulheres em cargos gerenciais esteja aumentando, ainda são poucas as mulheres que ocupam cargos executivos ou presidências de empresas.

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 Mulher, sexo frágil?

Há quem pense ainda hoje que mulher é sexo frágil. Que ela é totalmente dependente e submissa ao homem. Por que então perdura essa concepção falsa? De onde veio? Em que ela se fundamenta? São indagações que necessitam ser feitas para que se desmistifiquem certos tipos de pensamentos errôneos que, ao longo do tempo, proliferam, deixando a sociedade à mercê da atrasada cultura machista.

Para exemplificar essa “cultura”, basta observar as brincadeiras desagradáveis, as piadinhas de mau gosto e os vários tipos de preconceitos que a mulher é constantemente submetida a escutar em casa, na escola, no trabalho, na rua, na política, no trânsito, enfim em tudo quanto é canto, porque simplesmente é mulher. Para alguns, até parece que a mulher não é um ser capaz de pensar, escolher e de ter vontade própria.

É triste saber que mulheres continuam vítimas de atrocidades cometidas por homens. Elas são espancadas, exploradas no trabalho, violentadas sexualmente e assassinadas, infelizmente, por seus empregadores, parentes, pais, namorados e companheiros. E o pior frequentemente ocorre: a maioria dos agressores fica impune, aumentado cada vez mais os índices de assassinato de mulheres.

Para se ter uma noção do tamanho da crueldade desses homens, só em Pernambuco, no mês de janeiro, foram 30 assassinatos por motivos banais. É o estado que mais mata mulheres, como bem noticiou o Globo Repórter, do dia 06 de março de 2009, sobre a escalada da violência doméstica no Brasil. Lamentavelmente, a esperada Lei Maria da Penha ainda não conseguiu coibir esse tipo de crime.

Como dizer um basta a tudo isso? Só a educação é capaz de transformar e fazer mudar antigas concepções que em nada ajudam a melhorar a vida das pessoas. Comemorar o dia 08 de março é ter consciência de que ainda há muito a se conquistar. Muitos foram os avanços das mulheres, principalmente, no mercado trabalho, mas elas ainda não venceram a luta contra o preconceito, a violência e o machismo perverso que culturalmente tem interrompido a vida de muitas mulheres.

A mulher não merece ser tratada com indiferença nem tampouco ser desrespeitada. Independente de cor, raça ou religião toda mulher deve ter direito à vida, à educação de qualidade, à moradia, à saúde, à cultura e sonhar com dias melhores; e isso só será possível quando a sociedade reconhecer que a mulher tem direito de ter direito, inclusive, o direito de não ser considerada o “sexo frágil”.

Dia 08 de março, dia de luta contra qualquer forma de discriminação contra às mulheres.
Um feliz Dia Internacional das Mulheres
com muita paz e afeto.

Profª. Eliete Carvalho

Ensinar ou não gramática?

Começaria explicando ao leitor que a pergunta acima lembra muito a célebre frase de Shakespeare: “Ser ou não ser, eis a questão”. Diante dessa pergunta o que resta ao professor de Língua Portuguesa? Caso a opção seja ensinar a gramática, corre-se o risco de o professor ser considerado tradicional, e tradicional aqui – no sentido mais corriqueiro da palavra – é sinônimo de ultrapassado. Se optar por não ensiná-la, também pode ficar na iminência de ser tachado de que nada ensina ou que “enrola” os alunos.

Então, o que fazer? O tema é bastante complexo e gera muita polêmica, principalmente, quando se trata do ensino da língua materna nas escolas. Duas opções de respostas, a meu ver, podem ser dadas: a primeira é ser a favor da gramática, mas ressaltando sua importância dentro do texto. Nesse caso, a gramática em hipótese alguma é negada, porém nem sempre o texto é realmente explorado como deveria ser. Servindo antes como argumento para que se analisem regras gramaticais.

Esse tipo de metodologia adotada por muitos professores, diga-se de passagem, é muito comum ser presenciado nas escolas. Ou seja, ensina-se com e a partir do texto, no entanto, é a gramática que ganha notoriedade, prestígio nas aulas de Português. Conceitos como coesão, coerência, (inter)textualidade, intencionalidade, inferência e gêneros textuais simplesmente são esquecidos em nome da gramática no texto.

A segunda opção dos professores é posicionar-se contra o ensino da gramática. Muitos defendem que o estudo de regras gramaticais, bem como o de frases soltas, completamente descontextualizadas e sem sentido para o aluno, não mais contribuem para o desenvolvimento das competências lingüísticas. O professor, nesse caso, é um crítico constante da gramática e tem consciência de que o ensino de Língua Portuguesa precisa e deve ser significativo para o aluno.

As duas opções de respostas convergem para uma só: a de que o ensino de gramática merece e precisa ser revisto, principalmente, porque com os avanços da ciência Linguística, o que era antes objeto de discussão e análise no ensino de Língua Portuguesa – como é o caso do estudo da gramática e de sentenças gramaticais – passou a dar lugar às novas abordagens metodológicas e conceituais em torno do que é de fato ensinar e aprender língua materna nas escolas.

As aulas de português pouco absorvem dos avanços em relação às novas teorias surgidas em torno da Linguística Textual, sobretudo dos anos 80 para cá, quando a gramática começou a ser questionada. Muito se sugeriu e propôs, contudo, o ensino ainda continua o mesmo: centrado na gramática.

O que se nota é que o professor de Língua Portuguesa, em sua maioria, tem consciência dos debates em torno das teorias da linguagem. Entretanto, ainda há muita resistência quanto às inovações propostas pela Linguística, e, sobretudo pelos PCNs, visto que ele (professor) se depara com inúmeros questionamentos e dúvidas sobre o fazer pedagógico e termina sem saber direito como aplicar os ensinamentos linguísticos na sala de aula, gerando, assim, muita insegurança em relação à mudança de paradigma.

A esse respeito Castilho (2000:13) ressalta:

“As mudanças sociais do país e o atual momento de transição de um paradigma científico para outro colocaram os professores de Língua Portuguesa numa situação desconfortável com respeito a “o que ensinar”, “como ensinar”, “para quem ensinar” e, até mesmo, “para que ensinar”.

Essa insegurança do professor frente aos novos desafios em relação ao ensino de Língua Portuguesa pode ser fruto de vários fatores como, por exemplo, o pouco conhecimento do professor frente às pesquisas ligadas aos estudos Lingüísticos; a falta de leitura sistemática e de literatura atualizada para embasamento pedagógico; como também a falta de tempo do professor para preparar atividades atraentes voltadas para o desenvolvimento das competências comunicativas do aluno.

Acredita-se que esses fatores têm contribuído para que o professor não se desvincule dos métodos tradicionais quanto ao ensino de língua portuguesa. Porém, o problema não está em ensinar gramática, como bem diz Irandé Antunes no seu artigo “Os mitos que se têm em torno do ensino da gramática” - publicado nos Anais do congresso Internacional de Práticas Educacionais (2005) -, “A solução, portanto, não é deixar de ensinar gramática; é, ao contrário, ensinar muito mais que gramática”.

Cabe ao professor, portanto, desenvolver as competências linguísticas do aluno, pensando sempre que o conhecimento não pode ser estanque nem tampouco obsoleto. Ensinar ou não gramática não é uma questão simplesmente de escolha e, sim, de desafio do professor, até porque “ninguém fala, ouve, lê ou escreve sem gramática, é claro; mas a gramática sozinha é imensamente insuficiente (Irandé, 2005)”.

Por Eliete Carvalho

A INDISCIPLINA NA ESCOLA

Vale a rebeldia como sinônimo de protesto, coragem e ousadia.

Por Eliete Carvalho

Disciplina é liberdade”. Já dizia o cantor e compositor Renato Russo em uma de suas músicas bastante conhecida da população brasileira. Esta afirmação revela que quando se tem disciplina, conquista-se a liberdade. Não a disciplina rígida, castradora, opressora, mas aquela que seja dialética, consciente, fruto do desejo de todos de conviverem em harmonia, onde o respeito seja mútuo. Enfim, aquela que deve ser vista num processo de conquista na relação aluno/professor.

Mas, infelizmente, essa disciplina tão sonhada está longe de ser compartilhada na escola. Isto porque já não se tem mais controle dos atos de vandalismo, da falta de respeito, do mau comportamento dos alunos em relação à escola e aos professores. Assim, todos os anos diretores, coordenadores e professores buscam encontrar respostas para uma das questões intrigantes e constrangedora: a indisciplina.

Reclamações, queixas, expulsões e até mesmo violência têm sido presenciadas no espaço escolar. Aparentemente não se sabe a causa, o motivo ou mesmo as razões que têm levado crianças e adolescentes a praticar tanta insubordinação. O que se sabe é que a indisciplina, nos últimos anos, passou a ser objeto de discussão, mas também de preocupação para a comunidade escolar.

O problema da indisciplina parece não ter solução. Principalmente, quando vemos jovens que se revelam insubordinados, não aceitando o que a escola propõe para eles. Desconsideram quaisquer tipos de regra, acordo ou contrato didático. Muitos são oriundos de um ambiente familiar desequilibrado, onde os pais maltratam, castigam ou ameaçam. Esses praticam, na escola, o que muitas vezes não fazem em casa. Suas atitudes revelam uma espécie de autodefesa, pois a intenção é justamente chamar a atenção. Estão sempre em evidência, ou melhor, destacam-se como “perturbadores” da ordem.

Ou mesmo aqueles que têm pais separados, desempregados, alcoólatras; estes desafiam a tudo e a todos com seus comportamentos subversivos. Para esses jovens, a escola parece não ter importância alguma. Estudar passa ser monotonia ou até mesmo perda de tempo. E ainda aparecem aqueles que segundo Os Parâmetros Curriculares Nacionais apontam:

“Alunos com histórico de diversas reprovações são encarados como alunos fracos e aceitar essa condição significa construir uma auto-imagem negativa, uma identidade inferiorizada. Muitos desses alunos não aceitam tal condição e recusam-se a assumir uma postura humilde, de quem se reconhece como um “fracassado” e, por meio da indisciplina, buscam afirmar uma identidade insubmissa”.

Desta maneira, a escola vai convivendo com crianças e adolescentes que transgridem suas normas. A impressão que temos é que os alunos estão cada vez mais insatisfeitos com a escola. E a cada dia que passa diretores, coordenadores e professores se veem ameaçados com as insatisfações. É daí que vemos constantemente acontecer a desordem, na medida em que paredes são riscadas, bancas aparecem quebradas, prédios são depredados, bombas e mais bombas explodem dentro dos banheiros, chutes, pontapés nos cestos de lixo e nas portas.

Não adianta ficar se queixando ou se lamentando pelos cantos. A indisciplina virou uma bola de neve. Ninguém mais controla, mas uma coisa é certa: quanto mais punição mais agressões irão acontecer, visto que os alunos já não temem mais ao professor, nem ao coordenador, nem mesmo ao diretor.

Diante dessa questão, percebe-se a falta de sentido da escola. Infelizmente, ela representa, para muitos, a chatice e a monotonia na proporção que os alunos se veem obrigados a cumprir tarefas sem sentidos, a ficar sentados do primeiro ao quinto horário vendo “conteúdo" isolado e pouco interessante. Muitas vezes, oss conteúdos não contribuem em nada com a sua realidade, ou melhor, não preparam para vida. Assim, vale a rebeldia como sinônimo de protesto, coragem e ousadia.

É como se a escola tivesse situada na música do cantor Gabriel o Pensador quando ele diz:

“Estou aqui pra quê?”.

Será que é pra aprender?

Ou será que é pra aceitar

me acomodar e obedecer?”



Diante desse refrão, vemos uma crítica acirrada à escola no que diz respeito a sua função. São desses questionamentos que podemos verificar até que ponto a escola está ou não cumprindo com o seu papel social que é: o de educar. Ou ainda se está sendo capaz de superar suas crises e seus desencontros. Caso contrário, corre-se o risco de se criar uma geração de revoltados ou indiferentes, pois o mundo lá fora é muito mais atraente e estimulante.

Acredito, sinceramente, que nada acontece por acaso. Os jovens não têm culpa de ser o que são, até porque a chamada “crise” da juventude é um reflexo da sociedade. Eles estão sem perspectivas, não sabem o que são valores, muito menos direitos e deveres. Desta forma, a escola termina deixando de ocupar o lugar do conhecimento e do sonho, na proporção que não consegue educar para o presente.

O problema da indisciplina não pode ser deixado de lado. A escola deve procurar entender as causas e os motivos que levam os jovens a praticar tanta insubordinação. Deve ser ainda condição primeira para que se compreendam as razões não explícitas da indisciplina na escola. Por outro lado, a escola é desafiada a encontrar caminhos que visem atrair os jovens para o respeito ao ambiente escolar. Uma coisa é certa: uma vez estabelecida uma relação de confiança entre aluno/professor pode-se romper barreiras antes mesmo inatingíveis. Mas isto só não basta. O problema da indisciplina não se recupera apenas por uma relação de confiança.

É preciso (re) significar o espaço escolar, propondo atividades que, de fato, favoreçam a integração do jovem à escola. É necessária ainda uma mudança de postura em relação ao que chamamos de “educar”, pois de nada adiantaria ensinar e ensinar se os alunos ainda não aprenderam uma das coisas que considero básica e fundamental na vida de cada pessoa: o respeito ao outro. É urgente a (re) significação do espaço escolar, mais urgente ainda é dá vida ao projeto político-pedagógico da escola. Acredito que sem o diálogo e com a falta de projeto, a escola não resolverá o problema da indisciplina.

Portanto, a escola necessita estar aberta ao diálogo com os seus alunos e com a comunidade, precisa sair do anonimato de suas ações, de seus projetos. Enfim, precisa ser mais incisiva quanto a sua real função. Caso contrário, estará exposta às críticas de que é desinteressante e desorganizada. Mais ainda de que seus alunos e professores se sentem perdidos ou mesmo sem ideais.

Eliete Carvalho é professora de Língua Portuguesa na cidade dos Palmares-PE.

E-mail:portugues@hotmail.com

Entre Fases

Minha vida é feita de memórias.

Tento sempre guardá-la dentro de mim.

Lembro-me de como vivi

Minha infância em Palmares

No bairro Santa Rosa,

A raiz do meu viver.

Perto de parentes e amigos

Pude brincar, descobrir e sonhar com muitas coisas,

E até cair e tropeçar como qualquer criança.

Mas sempre sapeca e querida por todos

E as tardes ia para casa da vovó Lea.

O tempo passa e a gente muda.

Mas acho que ainda sou aquela menina

Dos olhos castanhos, da pele morena,

Alegre e feliz que vivia a contemplar a vida.

Da família Ferreira Carvalho,

Repleta de sonhos, desejos e esperança.

(Maysa Emanuelle F. Carvalho - minha filha)



                               Projeto: Propaganda, a alma do negócio
 

Projeto Futuro